Síndrome do ninho vazio - Dra. Dora Lorch

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Síndrome do ninho vazio


Faz tempo que as mulheres equilibram várias funções: mãe, educadora, administradora do lar, cozinheira, enfermeira, professora; mais recentemente motorista e provedora da casa. E claro supervisora de uma dieta saudável e equilibrada.

O trabalho trouxe à vida feminina uma dimensão nova: ela pode contar consigo mesma, pode ser independente dos homens. Não tem mais aquela história de ter que aguentar alguém porque não pode sobreviver sozinha. Pode. E os pais legalmente devem sustentar os filhos até que eles tenham condições de sobrevivência.

Trouxe também a possibilidade de ter amigas, sair para se divertir, ter um grupo fora de casa.

Mesmo assim, os filhos ocupam a maior parte de seus corações e mentes. Se eles estão bem, a vida é leve, se tem algum problema começamos a nos preocupar. Isso vale para os que moram em casa e para os que não moram também. Por isso, sugiro às mães de filhos quase adultos, que ameaçam que vão fazer e acontecer quando fizerem dezoito anos, que digam, que aos dezoito eles vão continuar sendo seus filhos. Aos dezoito, aos vinte oito, aos trinta e oito… Para os pais, os filhos são sempre filhos.

Mas tem aquele momento difícil quando eles saem de casa, quando começam a alçar vôo. Nesta hora, junto com o orgulho e com a felicidade, vem a tristesa de perder esta convivência, que apesar dos pesares nós gostamos tanto. Filho é tudo de bom. Mesmo quando dá dor de cabeça. Por isso aquelas mães que centram seus esforços na criação dos filhos ficam mais abaladas.

D. Deolinda era uma mulher muito simples, mãe de muitos filhos, de pouca leitura, e que teve a sorte de ter um filho que se sobressaiu nos esportes. Por isso ele conseguiu um contrato no exterior com a promessa de um salário que a família nem imaginaria. Isso ajudaria muito a todos, mas imporia uma distância absurda e impossível de ultrapassar. D. Deolinda não tinha telefone, só celular, e nem sempre conseguia ligar. D. Deolinda sentia muita saudade do filho, mas se segurava como podia. Chorava, mas aguentava!

Luciana também tinha uma filha que conseguira uma bolsa de estudos em outro país. Para ela a vitória da filha era a vitória de toda educação que ela dera. Estava orgulhosa e contente, mas ao contrário de D. Deolinda, desde que recebeu esta notícia ficou triste, abatida, chorava sem parar.




O que tem de diferente D. Deolinda e Luciana?

O choro de Luciama era de desespero. A saida da filha trazia um vazio duro de aguentar.

Será que ela se sentia abandonada pela filha? Não.

Perguntei: – Luciana, quem te abandonou?

Ela parou de chorar arregalou os olhos e disse-: Ninguém me abandonou. Meu pai. Ele morreu quando eu era pequena, mas isso não é abandono!

Interessantemente a tristeza de Luciana começou a ceder, e a convivência com esta nova etapa da vida tornou-se mais tranquila.

Nós temos muito a agradecer a mães como Deolinda e Luciana que deixam seus filhos crescerem e brilharem. São mães como estas que estão por trás das muitas medalhas que o país ganha pelo mundo afora, seja nas olimpíadas seja nos campos da ciência.

Fonte: Revista Novos Rumos Ciência & Saúde






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