A transformação das impressões


Transformação significa que uma coisa se modifica em outra coisa diferente. É lógico que tudo é susceptível de mudanças.



Vamos falar da transformação da vida, e isto é possível, se alguém se propuser profundamente.

Transformação significa que uma coisa se modifica em outra coisa diferente. É lógico que tudo é susceptível de mudanças.

Existem transformações da matéria que são bem conhecidas. Ninguém poderia negar, por exemplo, que o açúcar transforma-se em álcool e que este se converte em vinagre pela ação dos fermentos. Esta é a transformação de uma substância molecular em outra. Sabe-se que na vida química dos elementos, por exemplo, o rádio se transforma lentamente em chumbo.

Os alquimistas da Idade Média falavam da transmutação do chumbo em ouro. No entanto, nem sempre aludiam à questão metálica meramente física. Normalmente, queriam indicar com tal palavra a transformação do chumbo da personalidade no ouro do espírito. Assim, convém refletir sobre todas estas coisas.

Nos Evangelhos, a idéia do homem terreno, comparado a uma semente capaz de crescimento, tem o mesmo significado: a idéia de renascimento, do homem que nasce outra vez. É óbvio que se o grão não morre a planta não nasce. Em toda transformação existe morte e nascimento.

Na Gnose, consideramos o homem como uma fábrica de três andares, que absorve normalmente três alimentos.

O alimento comum, relacionado com o estômago, corresponde ao andar inferior da fábrica.

O ar, naturalmente relacionado com os pulmões, corresponde ao segundo andar. O terceiro alimento são as impressões, que indubitavelmente estão associadas com o terceiro andar e com o cérebro.

O alimento que ingerimos sofre sucessivas transformações. Isto é inquestionável! O processo da vida em si mesmo e por si mesmo é transformação. Toda criatura do Universo vive da transformação de uma substância em outra. O vegetal, por exemplo, transforma a água, o ar e os sais da terra em novas substâncias vegetais vitais, em elementos úteis para nós como as castanhas, as frutas, as raízes, os sucos, etc. Portanto, tudo é transformação.

Pela ação da luz solar, variam os fermentos da natureza. É inquestionável que a sensível película de vida orgânica, que normalmente se estende pela superfície da Terra, conduz a toda força universal para o interior do próprio mundo planetário. Cada planta, cada inseto, cada criatura e o próprio animal intelectual, equivocadamente chamado homem, absorve, assimila, determinadas forças cósmicas, as transforma e depois as transmite inconscientemente às camadas inferiores do organismo planetário. Tais forças transformadas estão intimamente relacionadas com toda a economia do organismo planetário em que vivemos. Indubitavelmente, cada criatura, segundo sua espécie, transforma determinadas forças que são transmitidas ao interior da terra para a economia do mundo. Assim, cada criatura existente cumpre as mesmas funções.

Quando comemos um alimento necessário a nossa existência, ele é transformado. Claro que esses elementos tão indispensáveis a nossa existência são transformados etapa após etapa.

Quem realiza dentro de nós esses processos de transformação das substâncias? O centro instintivo, é óbvio! A sabedoria deste centro é realmente assombrosa.

A digestão em si mesma é transformação. O alimento no estômago, isto é, na parte inferior da fábrica de três andares do organismo humano, sofre transformação. Se alguma coisa entrasse sem passar pelo estômago, o organismo não poderia assimilar seus princípios, suas vitaminas nem suas proteínas. Isso causaria simplesmente uma indigestão. À medida que vamos refletindo sobre este tema, vamos compreendendo a necessidade de tudo passar por uma transformação.

Claro que os alimentos físicos se transformam, mas há algo nisso que nos convida à reflexão.

Existe em nós a transformação educada das impressões?

Para os objetivos da natureza propriamente ditos, não há necessidade alguma de que o animal intelectual, equivocadamente chamado homem, transforme realmente as impressões.

No entanto, um homem pode transformar suas impressões por si mesmo, desde que possua, naturalmente, um conhecimento básico. Há que compreender o porquê desta necessidade!

Seria magnífico transformar as impressões. A maioria das pessoas, quando se vêem no terreno da vida prática, acham que este mundo físico vai lhes dar tudo o que desejam e buscam. Realmente, este é um tremendo equívoco. A vida em si mesma entra em nós, em nosso organismo, na forma de meras impressões. A primeira coisa que devemos compreender é o significado do trabalho esotérico intimamente relacionado com o mundo das impressões.

Que necessitamos transforma-las, é verdade! Ninguém poderia realmente transformar sua vida se não transformasse as impressões que chegam à mente.

As pessoas que lerem estas linhas deverão refletir sobre o que aqui se está dizendo. Estamos falando de algo muito revolucionário. Todo mundo julga que o físico é o real, mas se formos um pouco mais ao fundo da questão, veremos que o que realmente estamos recebendo a cada instante, a cada momento, são meras impressões.

Se vemos uma pessoa que nos agrada ou desagrada, a primeira coisa que obtemos são impressões desta natureza, não é verdade? Isto não podemos negar! A vida é uma sucessão de impressões. Ela não é, como pensam os ignorantes ilustrados, uma coisa física, de tipo exclusivamente materialista. A realidade da vida são as suas impressões!

É claro que as idéias que estamos emitindo não são muito fáceis de serem captadas, apreendidas. É possível que vocês estejam certos de que a vida existe tal e qual se apresenta, e não como meras impressões. Estão tão sugestionados por este mundo físico que, obviamente, pensam assim.

A pessoa que vemos sentada, por exemplo, numa cadeira, lá, com tal ou qual roupa de certa cor, aquela que nos cumprimenta, que nos sorri, etc., é para nós realmente verdade. Porém, se meditamos profundamente, chegamos à conclusão de que real são as impressões. Elas chegam à mente através da janela dos sentidos.

Se não tivéssemos os sentidos, olhos para ver, ouvidos para ouvir ou boca para degustar os alimentos que o nosso organismo ingere, existiria para nós isso que se chama mundo físico? Claro que não? Absolutamente não!

A vida nos chega na forma de impressões e é aí, justamente, onde está a possibilidade de trabalhar sobre nós mesmos. Antes de tudo, que devemos fazer? Há que compreender o trabalho que devemos realizar. Como poderíamos conseguir uma transformação psicológica de nós mesmos? Pois efetuando um trabalho sobre as impressões que estamos recebendo a cada instante, a cada momento. Este primeiro trabalho recebe o nome de “primeiro choque consciente”. O choque está relacionado com todas estas impressões, de tudo quanto conhecemos do mundo exterior, que tomamos como se fossem as verdadeiras coisas, as verdadeiras pessoas.

Precisamos transformar nossa vida, e esta é interna. Ao querer transformar esses aspectos psicológicos de nossa vida, precisamos trabalhar sobre as impressões que entram em nós.

Por que chamamos o trabalho de transformação das impressões de primeiro choque consciente? Porque o choque é algo que não poderíamos efetuar de forma meramente mecânica. Isto jamais poderia ser feito de maneira mecânica. É necessário um esforço auto-consciente.

É claro que um aspirante gnóstico, ao começar a compreender este trabalho, é óbvio que por tal motivo começa a deixar de ser um homem mecânico, que apenas serve aos fins da natureza, uma criatura absolutamente adormecida, que não é mais que uma simples “empregada” da Natureza, útil para seus fins econômicos, mas que não servem, de modo algum, aos interesses de nossa própria auto-realização íntiima.

Se vocês começam a compreender o significado de tudo o que se ensina aqui, se pensam agora no significado de tudo que lhes ensinamos a fazer pela via do esforço próprio, começando pela observação de si mesmo, verão, sem dúvida, que o lado prático do trabalho esotérico se relaciona intimamente com a transformação das impressões e do que resulta naturalmente das mesmas.

O trabalho, por exemplo, sobre as emoções negativas, sobre os estados de mau-humor, sobre a questão da identificação, sobre a auto-consideração, sobre os eus sucessivos, sobre a mentira, sobre as auto-justificativas, sobre a desculpa, sobre os estados inconscientes em que nos encontramos, se relaciona em tudo com a transformação das impressões e com o que resulta disso. Convirá dizer ainda que, de certo modo, o trabalho sobre si mesmo é comparável a uma dissecação.

Quero que vocês reflitam profundamente nisto, que compreendam o que é o “primeiro choque consciente”. É preciso formar um elemento de mudança no lugar de entrada das impressões. Não se esqueçam disso.

Mediante a compreensão de tudo isso, vocês podem aceitar a vida realmente como trabalho esotérico, Então estarão num estado constante de recordação de si mesmos, e esse estado de consciência de si mesmos os levará ao terreno vivo da transformação das impressões, e assim, naturalmente, a uma vida distinta. Isto é, a vida já não atuará mais sobre vocês como antes, vocês começarão a pensar e a compreender de uma maneira nova. E, claro, este é o começo de sua própria transformação.

Enquanto continuem pensando da mesma maneira, tomando a vida da mesma maneira, é claro que não haverá nenhuma mudança em vocês.

Transformar as impressões da vida é transformar a si mesmo, e só uma forma inteiramente nova de pensar pode efetuar tal transformação. Todo este trabalho se dirige a uma forma radical de transformação. Se alguém não se transforma, nada consegue.

Vocês compreenderão que a vida nos obriga continuamente a reagir. Todas essas reações formam nossa vida pessoal. Mudar a vida de alguém não é mudar as circunstâncias meramente externas, é realmente mudar suas próprias reações. Mas se não vemos que a vida exterior nos chega como meras impressões que nos obrigam incessantemente a reagir de uma forma, diríamos, estereotipada, não veremos onde começa o ponto que realmente possibilita a mudança e onde é possível trabalhar.

Se as reações que constituem a nossa vida pessoal são todas de tipo negativo, então nossa vida também será negativa, não será mais que uma série sucessiva de reações negativas que dadas como resposta às incessantes impressões que nos chegam à mente. Logo, nossa tarefa consiste em transformar as impressões da vida, de modo que não provoquem este tipo de reações negativas a que estamos tão acostumados. Mas, para consegui-lo, é necessário estar se auto-observando de instante a instante, de momento a momento. Assim as impressões não chegam de um modo mecânico, e isso equivale a começar a viver mais conscientemente.

Um indivíduo pode se dar ao luxo de fazer com que as impressões não cheguem mecanicamente. Ao agir assim, transforma as impressões e começa a viver conscientemente.

Por isso se diz que o primeiro choque consciente consiste em transformar as impressões que chegam à mente.

Se conseguimos transformar as impressões que chegam à mente, no momento mesmo de sua entrada, sempre se pode trabalhar sobre o resultado das mesmas. Claro que, ao transformá-las, evitamos que produzam seus efeitos mecânicos, que costumam sempre ser desastrosos no interior de nossa psique.

Este trabalho esotérico-gnóstico deve ser levado até o ponto onde entram as impressões porque são distribuídas mecanicamente pela personalidade a lugares equivocados a fim de evocar antigas reações.

Vou tratar de simplificar isto. Tomemos o seguinte exemplo: Se jogamos uma pedra num lago cristalino, produzem-se impressões no lago e a resposta a essas impressões causadas pela pedra são as ondas que vão do centro para a periferia.

Agora, imaginem a mente como se fosse um lago. De repente, aparece a imagem de uma pessoa. Esta imagem é como a pedra do nosso exemplo. Ela chega à mente que então reage na forma de impressões. Estas impressões foram provocadas pela imagem que chegou à mente e as reações são as respostas a tais impressões.

Se jogamos uma bola contra um muro, o muro recebe a impressão. Depois vem a reação, que consiste na volta da bola a quem a jogou. Bom, pode ser que não chegue diretamente, mas de qualquer jeito a bola retorna e isso é reação.

O mundo está formado de impressões. Por exemplo: Chega-nos à mente a imagem de uma mesa através dos sentidos. Não podemos dizer que foi a mesa que chegou ou que a mesa tenha entrado em nosso cérebro. Isto é absurdo! Mas a imagem da mesa sim está lá. Então, a mente reage imediatamente e diz: Esta é uma mesa de madeira, de metal, etc.

Há impressões que não são muito agradáveis. Por exemplo, a calúnia ou as palavras de um insultador. Poderíamos transformar as palavras de um insultador?

As palavras são como são, então que poderíamos fazer? Transformar as impressões que tais palavras nos causam. Isto sim é possível! O ensinamento gnóstico nos ensina a cristalizar a Segunda Força, o Cristo, em nós mediante o postulado que diz: há que se receber com agrado as manifestações desagradáveis de nossos semelhantes.

No postulado anterior está o modo de transformar as impressões produzidas em nós pelas palavras de um insultador. Receber com agrado as manifestações desagradáveis de nossos semelhantes. Este postulado nos levará, naturalmente, à cristalização da Segunda Força, o Cristo, em nós. Ele fará com que o Cristo venha a tomar forma em nós.

Se do mundo físico só conhecemos as impressões, então o mundo físico não é propriamente tão externo quanto as pessoas julgam. Com justa razão disse Immanuel Kant: “o exterior é o interior”. Se o interior é o que conta, devemos, pois, transformar o interior. As impressões são interiores, logo todos os objetos, coisas e tudo o que vemos existe em nosso interior na forma de impressões.

Se não transformamos as impressões, nada mudará em nós. A luxúria, a cobiça, o orgulho, o ódio, etc., existem na nossa psique na forma de impressões que vibram incessantemente.

O resultado mecânico de tais impressões tem sido todos esses elementos inumanos que levamos dentro e que os temos chamado normalmente de eus, os quais em seu conjunto constituem o mim mesmo, o si mesmo.

Suponhamos, por exemplo, que um indivíduo vê uma mulher provocante e que não transforma essas impressões. O resultado será que elas, por serem de tipo luxurioso, produzirão nele o desejo de possuí-la. Tal desejo vem a ser o resultado da impressão recebida, que se cristaliza, toma forma em nossa psique e se converte num agregado a mais, isto é, num elemento inumano, num novo tipo de eu luxurioso, que irá se agregar à soma já existente de elementos inumanos que em sua totalidade constituem o Ego.

Em nós existe, ira, cobiça, luxúria, inveja, orgulho, preguiça e gula.

Por que ira? Porque muitas impressões chegaram a nós, ao nosso interior, e nunca foram transformadas. O resultado mecânico de tais impressões de ira foram os eus que agora existem e vibram em nossa psique e que constantemente nos fazem sentir coragem.

Por que cobiça? Indubitavelmente, muitas coisas despertaram a cobiça em nós: o dinheiro, as jóias e outras coisas materiais de todo tipo. Essas coisas, esses objetos, chegaram a nós na forma de impressões e cometemos o erro de não ter transformado essas impressões em outras diferentes, em altruísmo, em alegria pelo bem alheio, em admiração pela beleza, etc.

Tais impressões não transformadas, naturalmente, converteram-se em eus da cobiça que agora carregamos em nosso interior.

Quanto à luxúria, ao longo de nossa vida foi chegando em forma de impressões, produzindo no interior da nossa mente reações de luxúria. Como não transformamos essas ondas luxuriosas, essas vibrações doentias, esse erotismo malsão (não bem entendido, por que bem entendido o erotismo é sadio), naturalmente o resultado não se fez esperar, nasceram novos eus com traços doentios em nossa psique.

Assim, hoje toca-nos trabalhar sobre as impressões que estão em nosso interior e sobre seus resultados mecânicos. Dentro de nós temos impressões de ira, de inveja, de cobiça, gula, orgulho, preguiça, luxúria, etc. Temos também dentro de nós os resultados mecânicos de tais impressões: grupos de eus brigões e gritões que agora precisamos compreender e eliminar.

Portanto, o trabalho sobre nossa vida consiste em saber transformar tais impressões e também em saber eliminar os resultados mecânicos das impressões não transformadas no passado.

O mundo exterior propriamente não existe. O que existe são as impressões e estas são internas. Assim também as reações a tais impressões são completamente interiores.

Ninguém poderia dizer que está vendo uma árvore em si mesma. Estará vendo a imagem da árvore, mas não a árvore. A coisa em si, como Immanuel Kant a chamava, ninguém vê.

Vê-se a imagem das coisas, isto é, surge em nós a impressão de uma árvore, de uma coisa...

Mas são coisas internas, são da mente.

Se alguém não faz as suas próprias modificações internas, o resultado não se deixa esperar: produz-se o nascimento de novos eus que vêm escravizar ainda mais nossa Essência, nossa consciência, e o sonho em que vivemos se intensifica ainda mais.

Quando alguém compreende realmente que tudo o que ocorre dentro dele mesmo, relacionado com o mundo físico, não passa de impressões, compreende também a necessidade de transformar essas impressões e, ao fazê-lo, verifica-se uma transformação nele mesmo.

Não há coisa que mais doa do que a calúnia ou as palavras de um insultador. Se alguém for capaz de transformar as impressões que tais palavras causam, elas ficarão sem valor algum, isto é, ficam como um cheque sem fundos.

Certamente, as palavras de um insultador não têm mais valor do que aquele que o insultado lhes dá. Assim, se o insultado não lhes der valor, ficam, repito, como um cheque sem fundos.

Quando alguém compreende isto, transforma essas impressões em algo diferente, por exemplo, em amor, em compaixão, em tolerância para com o insultador, etc. Naturalmente, isto é transformação!

Portanto, necessitamos estar transformando incessantemente as impressões, não só as presentes, como também as passadas e as futuras. Dentro de nós existem muitas impressões que cometemos o erro de não haver transformado no passado, e muitos resultados mecânicos das mesmas, que são os tais eus que agora temos de desintegrar, aniquilar, a fim de que a consciência fique livre e desperta.

É indispensável que se reflita sobre o que estou dizendo. As coisas, as pessoas, não são mais do que impressões dentro de nós, dentro da nossa mente. Se transformamos essas impressões, transformamos radicalmente a nossa vida.

Quando há orgulho em alguém, este tem por embasamento a ignorância. Por exemplo, uma pessoa que se sente orgulhosa de sua posição social e de seu dinheiro. Se essa pessoa pensar um pouco, verá que sua posição social é uma questão meramente mental, que são uma série de impressões a chegar a sua mente, impressões sobre seu estado social. Quando descobrir que tal estado não é mais do que uma questão mental, ao fazer uma análise de seu real valor, dar-se-á conta de que sua posição social existe em sua mente na forma de impressões.

Tudo que o dinheiro e a posição social provocam nada mais são do que impressões internas da mente. Tão só com o fato de se compreender que são apenas impressões da mente, há transformação sobre as mesmas. Então o orgulho cai por si mesmo, desmorona, nascendo em nós de forma natural a humildade.

Continuando com o estudo dos processos da transformação das impressões, prosseguirei acrescentando mais alguma coisa. A imagem de uma mulher luxuriosa chega à mente ou surge na mente. Tal imagem é uma impressão. Isto é óbvio! Poderíamos transformar essa impressão luxuriosa através da compreensão? Sim, bastaria que recordássemos por alguns instantes, que ela um dia irá morrer e que seu corpo se tornará pó no cemitério e se, com a imaginação, víssemos seu corpo se desintegrando dentro do caixão, isto seria mais do que suficiente para transformar aquela impressão luxuriosa em castidade. Assim, transformando-a, não surgiriam em nossa psique mais eus de luxúria.

Convém que transformemos as impressões que surgem na mente através da compreensão.

Creio que vão compreendendo que o mundo exterior não é tão exterior como normalmente se crê, é bem mais interior. Tudo o que nos chega do mundo não são mais que impressões internas.

Ninguém poderia colocar uma árvore, uma cadeira, uma casa, um palácio, uma pedra, etc., dentro de sua mente. Tudo chega a nossa mente na forma de impressões. Isso é tudo! Impressões de um mundo que chamamos externo mas que na realidade não é tão externo como se pensa.

É urgente que transformemos as impressões através da compreensão. Se alguém, por exemplo, nos elogia, como poderíamos transformar a vaidade que isso poderia provocar em nós?

Obviamente, os elogios, as adulações, não são mais do que impressões que nos chegam à mente e esta reage na forma de vaidade. Porém, se transformamos essas impressões, a vaidade torna-se impossível. Como se transformaria as palavras de um adulador? Mediante a compreensão.

Quando alguém compreende que não é mais do que uma infinitesimal criatura num lugar qualquer do Universo, transforma de fato essas impressões de elogio, de lisonja, em algo diferente, converte tais impressões no que não realmente: pó, poeira cósmica. Isto porque compreendeu a sua própria situação.

Sabemos que a galáxia em que vivemos é composta por milhões de mundos. Que é a Terra?

Uma partícula de poeira no infinito. E se víssemos que somos microorganismos dessa partícula? Então, o que? Naturalmente, essas reflexões fariam com que nós transformássemos essas impressões de lisonja, de adulação ou de louvor. Assim, como resultado, não reagiríamos de forma vaidosa ou orgulhosa.

Quanto mais refletirmos nisto, mais e mais veremos a necessidade de uma transformação completa das impressões.

Tudo o que vemos externo é interno. Se não trabalharmos com o interior, iremos pelo caminho do erro porque não modificaremos nossos hábitos. Se queremos ser diferentes, temos de nos transformar integralmente e devemos começar transformando as impressões.

Transformando as impressões animais e bestiais em elementos de devoção, ocorre em nós a transformação sexual, a transmutação.

Inquestionavelmente, este aspecto das impressões merece ser analisado de uma forma clara e precisa. A personalidade, que recebemos ou adquirimos, recebe as impressões da vida, mas não as transforma porque praticamente é algo morto.

Se as impressões caíssem diretamente sobre a Essência, é óbvio que seriam transformadas, porque de fato ela as depositaria exatamente nos centros correspondentes da máquina humana.

Fonte: Samael Aun Weor


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